A queda de árvores e as descargas atmosféricas durante os temporais são responsáveis por 80% das interrupções no fornecimento de energia em Belo Horizonte e na região metropolitana, segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Para evitar os apagões durante as chuvas, a implantação de uma rede de energia elétrica subterrânea é a solução apontada por especialistas como José Osvaldo Saldanha, engenheiro eletricista e professor de engenharia elétrica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O modelo existe em grandes metrópoles, como Nova York, Tóquio e Paris, além dos centros das principais capitais brasileiras, entre elas o Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Salvador e Belo Horizonte.
"Quando chove na capital, a falta de luz, na maioria das vezes, é provocada por árvores que caem e derrubam a fiação da rede aérea, onde os fios estão expostos. Para evitar isso, o ideal é substituir essa rede convencional pela subterrânea, em que os cabos de energia são protegidos por isolantes e passam por tubulações. O problema é que o custo é muito alto", explica Saldanha.
O gerente do Centro Integrado de Operação e Distribuição da Cemig, Danilo Gusmão Araújo, reconhece a dificuldade de se implantar os cabos de energia no subsolo, devido aos custos impeditivos. A instalação de 1 km de rede aérea custa R$ 89,6 mil. Já a rede subterrânea exige um investimento de R$ 1,073 milhão por km. "Não há como fazer uma rede subterrânea sem impacto econômico para o consumidor. O custo é dez vezes maior", ressalta Araújo.
Na capital, ao todo existem 441 km de rede subterrânea implantada no hipercentro, na área hospitalar, nas praças da Estação e Liberdade e em parte dos bairros Savassi e Lourdes. Enquanto o desejo de uma rede elétrica ideal não se concretiza, a Cemig diz se esforçar na prevenção e no restabelecimento do fornecimento de energia no menor tempo possível.
De acordo com o gerente de distribuição da empresa, são feitos investimentos na ampliação das equipes de atendimento e na substituição dos cabos de energia convencionais por cabos protegidos e isolados. "Aos poucos, tem sido feita a troca da rede aérea convencional pela rede protegida, em que os cabos ocupam menos espaço e são mais resistentes ao contato com as árvores. Além disso, podamos mais de 120 mil árvores nos últimos 12 meses", disse Araújo.
Ainda de acordo com ele, durante os temporais, 80% da energia é restabelecida em até duas horas. "A demora no restabelecimento existe nos pontos onde a rede precisa ser reparada. Isso acontece quando um transformador queima ou os cabos arrebentam devido à queda de árvores ou descargas atmosféricas", explica.
Ao todo, desde maio do ano passado, a Cemig já finalizou 22 obras da rede protegida em 14 bairros da capital. Nos próximos três anos, a empresa pretende investir R$ 12 milhões na substituição de mais 170 km de cabos convencionais.
ENERGIA AÉREA E SUBTERRANEA A rede de energia elétrica subterrânea é apontada por especialistas como a solução para as interrupções de energia ocasionadas pela chuva. Entenda as diferenças entre as ligações subterrâneas e as aéreas.
REDE AÉREA – é a rede convencional, implantada em grande parte das cidades. Ela é composta por um sistema trifásico. Os cabos de energia são presos em postes de iluminação e ficam expostos da rua. O ponto positivo dessa rede é a implantação rápida e o custo mais acessível. O ponto negativo é que a fiação fica exposta na rua e a chance de o fornecimento de energia ser interrompido é maior. Os fios são suscetíveis às chuvas, vendavais, descargas atmosféricas, quedas de árvores. Acidentes de carros que derrubam postes ou até linhas de papagaio podem prejudicá-la.
REDE SUBTERRÂNEA – é encontrada na área central das grandes cidades e é composta por um sistema trifásico. Os cabos de energia são protegidos por isolantes e passam por baixo do solo, dentro de tubulações subterrâneas. A manutenção é feita através de caixas de inspeção, nas calçadas. O ponto positivo é que a probabilidade de haver interrupção de energia é mínima, pois os cabos ficam protegidos dentro das tubulações. O ponto negativo é o alto custo, que pode chegar de seis a dez vezes maior que o da rede aérea e quando há interrupção de energia, a manutenção é mais demorada.
INFOGRÁFICO 774 municípios são atendidos pela Cemig em Minas Gerais, o equivalente a 97% do Estado 4 concessionárias de energia elétrica abastecem as outras 79 cidades mineiras 5921 reclamações contra a Cemig foram registradas na Aneel de janeiro a outubro de 2009